Andrea Lalli

Bisa João Piaba

2015 - 2020

Técnica mista de Fotografia, Pintura e Bordado 37 x 32 cm

Tinta acrílica e bordado sobre lona crua Local:

“Bisa João Piaba” é uma investigação que realizei de meu Bisavô paterno, através de um retrato em fotografia que registrei em 2015, e um retrato em tinta acrílica e bordado sobre lona crua, 37 x 32 cm, produzido em 2020 a partir dessa fotografia como referência. João Piaba tem esse nome pois veio da fazenda "Piabas" em Jacobina, Bahia.

ANDREA LALLI

Andrea Lalli é artista visual, arte-educadora e pesquisadora, mora em Osasco, São Paulo - Brasil. É mestranda em Poéticas Visuais e Processos de Criação pelo IA-UNICAMP, com especialização em Artes Visuais, Intermeios e Educação pelo IA-UNICAMP, e bacharel em Ciências Sociais pela FFLCH-USP (2018). Desde 2021 é integrante do Levante Nacional TROVOA, participou da exposição coletiva Travessias Nômades (2020) - projeto idealizado pela KA-Gestão em Arte, Cultura e Educação -, e da 29a ANPAP, com os artigos “Considerações sobre a relevância das narrativas autobiográficas dos públicos na mediação cultural” e “Tramas e territórios: tecendo diálogos entre o ensino formal e não formal”. Em sua poética, desenvolve trabalhos com pinturas híbridas, bordados, fazeres manuais, xilogravuras e performances, costurando as desterritorializações das histórias que a antecedem, lançando-se à investigação de memórias afro-diaspóricas e originárias, presentes em sua família paterna. Há sete anos atua como educadora em diversas instituições culturais, tais como a Fundação Bienal de São Paulo, SESC SP, CCBB SP, entre outras. Busca relacionar seu trabalho como educadora ao seu trabalho artístico, partindo de narrativas autobiográficas como estratégias de escuta e articulação de sua pesquisa prática e teórica, tendo em vista as trocas em coletivo como fundamentais para a criação de narrativas visuais e espaços de potência. 

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Bisa João Piaba, tinta acrílica e bordado sobre lona crua, 2020 - Andrea Lalli (1).jpg
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Áudio tia LeiaArtist Name
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Andrea Lalli

Delírios e Dispersões

2020 Técnica: Matriz de Xilogravura

39 x 42 cm fotografias do acervo da minha família

“Delírios e Dispersões” é um trabalho composto por uma fotografia de 1998 de minha vó Edite e tia Leia montadas num camelo durante uma viagem ao Cairo, Egito, e uma matriz de xilogravura  em MDF de 39 x 42 cm. que produzi em 2020 a partir dessa imagem. A investigação é acompanhada por um áudio de minha Tia Leia narrando um pouco de suas memórias dessa viagem, assim como imagens de uma Bíblia que minha avó trouxe ao meu pai quando voltou ao Brasil, como forma de compartilhar essa recordação com ele.

 

O trabalho em questão foi uma investigação realizada durante o período de quarentena (meados de 2020) decorrente da pandemia do coronavírus (COVID -19) momento em que, diante da impossibilidade de deslocamento físico, comecei a pensar nas viagens e territórios percorridos por minha família, que foram possíveis em algum momento antes do cenário pandêmico. Tia Leia e Vó Edite fizeram essa viagem com a motivação de percorrer alguns dos territórios mencionados em histórias da Bíblia Sagrada - tais como presentes no Egito, Israel, Grécia e Itália. Ao voltar ao Brasil, minha avó presenteia meu pai com uma Bíblia adquirida em Israel, trazendo algumas imagens das fotos de viagem e considerações de lembranças que ela compartilhou com meu pai por escrito. Gosto de pensar na improbabilidade desse "retorno" a um território africano que provavelmente nos antecedeu - mas que, por conta dos apagamentos e desterritórios que acompanham as populações afro-diaspóricas e afro-atlânticas, foi completamente perdido - e como essa viagem só foi possível a partir da fé que meus avós e minha família têm. 

 

Considero relevante mencionar que meus avós paternos são de Jacobina, Bahia, e vieram na década de 1950 construir São Paulo, num sonho de prosperidade de muitos migrantes nordestinos. Nesse contexto, essa viagem ao Egito, em 1998, é algo fora dessa realidade, sendo a primeira e única viagem internacional de minha avó Edite. Assim, a fé aqui é elemento fundamental, que ao mesmo tempo motiva, desperta desejo de conhecimento de territórios sagrados, e é o que cria possibilidades para essa travessia/retorno.

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Andrea Lalli

Os colares do corpo

2021 

Bordado e bijouteria sobre algodão cru 

30 x 22 cm

"Os colares do corpo" é um bordado com inserções de bijuterias sobre algodão cru, de 20 x 33 cm, realizado em 2021, que faz parte de uma série de bordados produzidos entre 2020 e 2021 à convite de ilustrar os contos presentes no livro Histórias de Terra, Água e Sal, escritos por Rafael Lalli. “Os colares do corpo” é o título dado ao conto que narra a trajetória de uma personagem cujas vivências, marcas e memórias, acumuladas em sua vida, tornam-se partes ornamentais, estéticas, que constroem e transformam seu corpo. Apesar de partir de um conto específico, acredito que esse bordado transbordou para questões que são importantes em meu processo artístico e que dialogam com a pesquisa que venho investigando, tanto materialmente - como a utilização de bordados, fazeres manuais  e pequenos objetos inseridos na criação de uma imagem -, como ao pensar simbolicamente a costura das marcas carregadas em nossos corpos enquanto um processo de cuidado e de elaboração das histórias e memórias que escolho contar por meio do meu processo artístico.