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Agosto Indígena

O Agosto Indígena surgiu a partir de uma vontade maior do que comemorar o dia 9 de agosto, dia Internacional dos Povos Indígenas, e prestar homenagens simbólicas. Empreender uma agenda de lutas e reivindicações para garantir que os indígenas do Brasil e do mundo não tenham os seus direitos básicos ainda mais cerceados.

 

Sabemos que os direitos dos povos indígenas são ameaçados constantemente no Brasil, e que a grande diversidade dos povos enfrenta muitos problemas, como a discriminação tanto racial quanto social e econômica, à exploração ilegal de suas terras e recursos naturais, além da falta de acesso a serviços de saúde e educação.

 

 Na história da arte, o indígena sempre foi o personagem das telas de pintores mas nunca o artista principal, é por isso que estamos abrindo espaço para dar visibilidade para artistas indígenas que não estão no circuito tradicional, e tentar corrigir uma história da arte que sempre prioriza a arte ocidental. 

 

Foi pensando nisso que o/a Colabirinto abriu seu espaço para artistas ocuparem durante o mês de agosto, com projetos artísticos inspirados na provocação:

 

 "O que é ser indígena?". 

 

Queremos refletir sobre o que é ser indígena no contexto atual, pois ainda existem muitas questões acerca deste questionamento. Sabemos que existem indígenas isolados, aldeados, vivendo em beira de estradas e indígenas em contexto urbano, todos eles, devido a forte colonização, tiveram identidades apagadas mas muitos estão retomando a sua identidade, buscando juntar as peças do quebra cabeça da sua ancestralidade e mestiçagem brasileira. 

    Também participaram os artistas da Mostra M´bai, atacada, em 2018, por um ato de vandalismo. Depois disso tudo, nós achamos ainda mais potente colocar as obras vandalizadas como forma de protesto.

 

    Relacionar este fato com a celebração do Agosto Indígena estimula muitas reflexões e questões a respeito, principalmente, do quanto ser indígena não é só uma questão de auto declaração e sim de estar sempre vulnerável a tais violências, estar sujeito a invisibilidade e desrespeito completo.

 

    Para os artistas indígenas, a arte é instrumento de luta e defesa de território. É mais do que necessário fazer uma exposição de arte contemporânea indigena, considerando a conjuntura política atual no Brasil.