Terra Indígena Digital convida: Bianca Foratori

Atualizado: 21 de fev. de 2021

Bianca Foratori é artista visual, natural de Jundiaí, interior de São Paulo, e hoje residente na capital. É graduada em Design e Negócios da Moda e pós graduanda em Arte-Educação. Vinda de uma família com muitos artistas e artesãos, investiga questões ligadas à cultura popular brasileira, à miscigenação e à identidade. Sua produção gira em torno da representação de mulheres racializadas, de memórias familiares e estéticas brasileiras, na busca de resgatar origens e registrar características e manifestações culturais, com ênfase na contribuição afro e indígena.

Bianca na frente de uma das suas obras.

Leia aqui sobre o trabalho de Bianca Foratori em suas palavras:


"Meu trabalho procura dar conta das minhas inquietações, e relacioná-las a questões que são coletivas. Acredito que o ponto principal da minha narrativa é a Identidade, e a partir disso eu desenvolvo outros temas relacionados. A minha iniciação na pintura e nas artes visuais aconteceu no momento em que senti a necessidade de me representar e representar os processos históricos que me geraram.

Eu sou uma mulher que vem de uma família inter-racial, que vieram de outras regiões do país e do mundo pra São Paulo, me entendi e fui entendida desde sempre como uma pessoa racializada, porém naquilo que chamamos de não-lugar ocupado por muitas pessoas "pardas", que através de diversas estratégias e violências coloniais perderam o direito às suas identidades, às suas memórias, entre outras coisas.

Então eu passei a retratar mulheres que em algum aspecto se parecessem comigo, pra que isso me ajudasse nesse processo de entendimento sobre quem eu sou e tudo o que aconteceu pra que eu estivesse aqui, registrando memórias familiares, histórias minhas, ou de vivências coletivas que sejam semelhantes às minhas, que me situassem enquanto uma pessoa que existe nesse mundo, eu precisava pontuar a minha existência.


Bianca criança.

Minha família materna tem origens na Bahia e Mato Grosso do Sul, e essas raízes são muito celebradas e enfatizadas, de maneira que sempre houve uma compreensão muito plena de que nós temos ascendência indígena daquela região fronteiriça entre o MS, Paraguai e Paraná, diversos costumes e manifestações culturais herdadas desses povos continuaram presentes na família, porém sem registros que pudessem definir qual a etnia exata. Então isso é um buraco existencial, entnocida, com o qual temos que lidar. E por parte do meu pai, há uma mistura entre mineiros e imigrantes, então toda a minha história parte desse lugar de deslocamento físico e simbólico".


Natália, avó de Bianca.


Veja alguns trechos do documentário em que a minha tia avó fala sobre ela mesma e nossa origem. Documentário de Helena Meirelles - A dama da viola, de Francisco de Paula.





Essa é uma apresentação dela no viola minha viola em 1994, junto com meus tios. Ela está cantando uma música que ela imita o canto do Guaxo, um pássaro:





A obra que apresento para a exposição "Terra indígena Digital" é pra mim uma forma de reafirmar que apesar e por causa de tudo isso, eu existo, eu estou aqui, exatamente dessa forma que eu sou, e que todos esses processos dos quais eu sou fruto existiram também. Fico satisfeita e honrada de participar dessa exposição e poder trazer essa reflexão, de que o indígena também sofreu interferências de outras culturas, assim como contribuiu com outras culturas, e foi obrigado a deixar os seus costumes.

Há uma realidade nos ambientes urbanos e especialmente nas periferias, da existência de uma massa gigante de pessoas que perderam a sua história por conta do etnocídio, mas que carregam consigo essa ancestralidade e essas feridas do colonialismo. O indígena teve uma participação importantíssima na construção dessa sociedade, e muito do que nós entendemos como cultura brasileira teve uma imensa contribuição do componente indígena. Isso não pode ser esquecido."

Veja a obra de Bianca para o Terra Indígena Digital.

Conheça um pouco mais de Bianca.


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